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estrategiaeexcelencia

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10.01.13

 

“Um homem sentou-se numa estação de metro de Washington DC e começou a tocar violino, era uma fria manhã de Janeiro; Ele tocou seis peças de Bach durante aproximadamente 45 minutos. Durante esse tempo, já que era hora de ponta, cacula-se que cerca de 1,100 pessoas atravessaram a estação, a sua maioria, a caminho do tabalho. 

Três minutos passaram quando um homem de meia idade notou que o músico estava a tocar, abrandou o passo e parou por alguns segundos, mas continuou depois o seu percurso para não chegar atrasado. 

Um minuto depois , o violinista recebeu o seu primeiro dólar, uma senhora atirou o dinheiro sem sequer parar e continuou o seu caminho. 

Alguns minutos depois, alguêm se encostou à parede para o ouvir, mas olhando para o relógio retomou a marcha. Estava claramente atrasado para o trabalho. 

Quem presto maior atenção foi um menido de 3 anos. A mãe trazia-o pela mão, apressada, mas a criança parou para olhar para o violinista. Finalmente, a mãe puxou-o com mais força e o miúdo continuou a andar, virando a cabeça várias vezes para ver o violinista. Esta acão foi repetida por várias outras crianças. Todos os pais, sem exceção, obrigaram as crianças a prosseguir. 

Nos 45 minutos em que o músico tocou, somente 6 pessoas pararam por algum tempo. Cerca de 20 deram-lhe dinheiro mas continuaram no seu passo normal. Ele recoletou cerca de 32 dls. Quando ele parou de tocar e o silencio tomou conta do lugar, ninguêm se deu conta. Ninguêm aplaudiu, nem houve qualquer tipo de reconhecimento. 

Ninguêm sabia que este violinista era Joshua Bell, um dos mais talentosos músicos do mundo. Ele tocou algumas das peças mais elaboradas alguma vez escritas num violino de 3,5 milhões de dólares. 

Dois dias antes de tocar no metro, Joshua Bell esgotou um teatro em Boston, onde cada lugar custou em média 100 dls. 

Esta é uma história real, Joshua Bell tocou incógnito na estação de metro num evento organizado pelo Washington Post que fazia parte de uma experiência social sobre perceção, gostos e prioridades. 

O outline era: num lugar comun, numa hora inapropriada: Somo capazes de perceber a beleza? Paramos para a apreciar? Reconhecemos o talento num contexto inesperado? 

Uma das possiveis conclusões que se podem sacar desta experiência podem ser: Se não temos um momento para parar e escutar a um dos melhores músicos do mundo tocar algumas das músicas mais bem escritas de sempre, quantas outras coisas estaremos perdendo?"

10.01.13

 

Por Carolina Demarchi Munhoz Cristoforo Scavone

Instituto de Ciências Biomédicas, USP

O estresse, hoje comum entre a população humana devido ao ritmo e às dificuldades da vida moderna, pode ser definido como uma mudança fisiológica ou psicológica que altera o equilíbrio que o organismo deve manter para funcionar de maneira adequada. Dentre as alterações que podem surgir estão aquelas relacionadas ao sistema de defesa, como o combate à inflamação. Diferentes estudos têm mostrado que a exposição ao estresse diminui a eficácia dessa resposta. O assunto é de grande interesse, uma vez que é comum o uso de terapias que adotam, de forma contínua, glicocorticóides (hormônios humanos liberados em situação de estresse) contra inflamações. Uma das primeiras evidências da influência do estresse no sistema imune foi a simples demonstração de que uma rosa artificial podia disparar uma resposta alérgica em pacientes que sofriam de alergia induzida pelo odor de rosas naturais. Exemplo mais recente vem de estudos realizados na Califórnia, nos Estados Unidos: demonstrou-se que atores profissionais que passam o dia interpretando cenas com forte carga emocional negativa apresentam, após o trabalho, um sistema imune menos eficiente. Essas evidências convenceram os cientistas de que o estresse pode também produzir alterações importantes nas defesas orgânicas.

Estudo publicado no final de 2002, envolvendo pais de crianças em tratamento contra o câncer, sugere que o estresse crônico pode dificultar a resposta natural do organismo contra a inflamação. A equipe do psicólogo Gregory E. Miller, então na Universidade Washington (Estados Unidos), estudou os efeitos do glicocorticóide cortisol sobre a atuação dos leucócitos (células de defesa) em uma região de infecção ou lesão. Os pesquisadores constataram que os leucócitos dos pais sob estresse mostravam, quando expostos ao cortisol, uma capacidade reduzida de interromper processos inflamatórios, diferentemente de pais com filhos saudáveis.

O cortisol integra o grupo dos glicocorticóides que têm potente ação antiinflamatória. Eles são utilizados contra inflamações crônicas, como asma e artrite reumatóide, entre outros, e também no controle de edema cerebral induzido por tumor e para evitar a rejeição de órgãos transplantados. Um dos meios pelos quais os glicocorticóides exercem essa ação é interagindo com moléculas que regulam a ativação de genes pró-inflamatórios.

Com base nessas informações, nossa equipe na USP desenvolveu uma pesquisa que procurou compreender a influência do estresse crônico imprevisível na resposta inflamatória. Nesse estudo, dois grupos de ratos receberam um estímulo inflamatório, mas apenas um deles foi submetido a estresse crônico imprevisível - nadar sem descanso por 15 minutos, permanecer imóvel por uma hora ou ainda ficar meio dia sem comida e água; entre outros.

A comparação do processo inflamatório no cérebro dos animais dos dois grupos mostrou que o estresse crônico potencializa a expressão de genes pró-inflamatórios em duas regiões do cérebro: o córtex pré-frontal (área relacionada às associações abstratas) e o hipocampo (que desempenha papel fundamental na memória).

Outro teste foi então realizado: antes do estímulo inflamatório foi injetada, em ratos submetidos ao mesmo estresse (e que depois receberam o mesmo estímulo inflamatório), uma substância, conhecida como RU-486. Esse composto se liga ao receptor do hormônio, impedindo que ele exerça sua função. O resultado foi a redução da expressão dos genes pró-inflamatórios exatamente no córtex pré-frontal e no hipocampo, ou seja, com a administração do RU-486, impediu-se a ação dos hormônios em seus receptores e o efeito potencializador do estresse foi revertido.

 Esses resultados evidenciam que os hormônios liberados em situação de estresse realmente têm também uma ação pró-inflamatória, além da clássica função antiinflamatória. Os mecanismos e/ou condições que determinam essa alternância de funções ainda são pouco entendidos, mas, nesse caso, parecem ser importantes fatores como exposição prolongada a altos níveis desses hormônios.

O tópico é de grande relevância clínica, uma vez que, além da larga utilização dos glicocorticóides na terapia antiinflamatória, esses hormônios estão elevados em vários distúrbios psiquiátricos (como a depressão e o transtorno do estresse pós-traumático) e pouco se sabe sobre o que acontece no cérebro dessas pessoas quando expostas à inflamação. Por isso, muitos laboratórios buscam entender em que situações esses hormônios têm ação pró-inflamatória. Assim será possível manter o uso desses fármacos sem risco para os pacientes.

Leia mais na revista Ciência Hoje, edição de Maio de 2012.

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